Cestas, panelas de barro, produtos reciclados, esculturas, quadros e luminárias, tudo isso e muito mais pode ser encontrado no Mercado São Sebastião, em Jucutuquara, patrimônio tombado, que foi reaberto no mês de setembro. O novo ambiente está dividido em 14 boxes e cada é ocupado por um artesão independente ou associados. O objetivo da reabertura do espaço tem a ver com busca de fortalecer o artesanato e a cultura capixabas.A escolha desses artesões e associações aconteceu através de um concurso onde estes fizeram as inscrições e levaram o material para serem apresentados aos jurados. Após duas semanas, os escolhidos foram chamados para irem à prefeitura assinar os papéis para então receber o box. Um dos critérios de escolha foi a originalidade do artesão.
Os espaços foram preenchidos por sete associações (NAboa, Paneleiras de Goiabeiras, Aproart, CERAMES, Economia Solidária, Capixabisse e Vitória das Artes); cinco artesãos independentes (Maria Nunes, Tulipa Cabral, Maria Gaiba, Giovana Barbosa e José Carlos); e um box reservado para a Prefeitura de Vitória.
Resgatando o uso da fibra da taboa em artesanatos, a Associação dos Artesãos do Núcleo de Artesanato em Taboa produz cestas, tapetes, espelhos, bandejas, castiçais, pufes. Com este trabalho, a associação gera renda para 117 famílias. Enquanto isso, logo ao lado, estão as panelas de barro das paneleiras de Goiabeiras que promovem a tradição de um dos principais símbolos da cultura e da identidade capixaba.
A AproART trabalha com produtos reciclados, entre eles madeira, enfeites, sementes e escamas de peixe. Já a CERAMES (Associação de Ceramistas do Espírito Santo), se destaca por apresentar produtos feitos à base de barro. Ao projeto são associados apenas oito, dos muitos membros da associação, e eles trabalham com o mesmo produto, mas as formas de arte são diversificadas. Os associados produzem de artigos decorativos a esculturas.Economia Solidária é uma associação do Governo, e foi criada para ajudar aqueles artesãos que não têm condição de montar uma loja própria. Os artesãos associam-se sem custo algum, e quando acontecem eventos como a Feira do Verde, existe um espaço reservado para essa associação. Uma das associadas é a Maria Nunes, que além de estar associada ao Economia Solidária, tem um box próprio (Minas Artesanato) onde expõe o trabalho dela e das irmãs, que veem o artesanato como algo compensador. “Ser artesão é uma profissão viciante”, afirma.
Maria Gaiba, responsável pelo “Arte Gaiba”, e Tulipa Cabral, também responsável por um box, convivem lado a lado no Mercado. Enquanto Maria iniciou-se no mundo artístico simplesmente pelo amor à arte, Tulipa começou por não ter dinheiro para comprar uma calcinha de couro, e quando uma amiga ganhou uma, pediu emprestado, fez o molde e costurou sua própria calcinha. A costura foi um sucesso e ela começou a vender para outras pessoas.
Vinda de Vila Velha, a Capixabisse é uma associação que reúne quinze pessoas que trabalham com todos os tipos de materiais, tecidos, acessórios, um pouco de reciclagem e resíduo de couro. Outra associação presente no Mercado é a Vitória das Artes onde só mulheres são associadas. Elas fabricam o artesanato e a associação vende. O trabalho acontece com a ajuda da prefeitura e com a presença de uma assistente social que acompanha essas mulheres.
Giovana Barbosa e José Carlos também ocupam dois boxes. Mas Giovana tem também um ateliê em Vila Velha e trabalha com concha e escamas. Já José Carlos é deficiente físico e ocupa o único box reservado para esse grupo. Ele trabalha na produção de mandalas, bandejas, luminárias, quadros, a partir de material reciclável. Apesar da pouca movimentação devido ao difícil acesso ao estabelecimento, os artesãos dizem que sempre aparecem pessoas interessadas nos artesanatos.
O Mercado, que fica na Avenida Paulino Muller, foi criado em 1939 e funcionava como ponto de encontro de moradores do bairro. A construção neocolonial destacou-se por ser o primeiro mercado construído fora do centro da cidade e parou suas atividades na década de 80. Depois de fechado, o espaço foi tombado como patrimônio histórico pela Prefeitura Municipal de Vitória. Funciona de terça a sexta-feira, das 14 às 20 horas, e todas as sexta-feiras na rua ao lado acontece uma feira livre.



















