O Cochicho, aberto em 1983, por Manolo, foi o primeiro bar. Mais tarde, em 1985, o boteco passou para o seu irmão, atualmente com 66 anos e conhecido pelo público como Seu Geraldo. Além de ser o primeiro bar, o Cochicho é o único que permanece. Bares antigos como Mudando de Conversa e Socó fecharam suas portas. Mesmo com os bares mais modernos se instalando em volta, ele tem a preferência da clientela variada que curte sua característica de boteco.
Além do Cochicho, outros bares antigos e que ainda permanecem são o Buana e Abertura. Ocorre atualmente a entrada de novos bares que não são muito a “cara” da Lama, Esfiheria e Belisco são exemplos disto, trazem uma nova face à rua. Esses novos bares são mais voltados para uma classe alta, sem grandes papos, grupo bem diferente do que é esperado na Rua.
Logo no começo, era comum o uso de drogas no local com a finalidade de mostrar a rebeldia dos jovens contra uma sociedade careta. Não existia um comércio que só ficava em busca do lucro, como se vê hoje. O ex-frequentador do cineclube da Ufes, Thalmon Júnior, 48, diz que esse tipo de ato não era problema, pois, na Lama podia-se tudo, ela era a referência de diversidade de opiniões. “Podia fumar maconha, podia namorar, nos falávamos beijando na boca, era um cumprimento normal entre as pessoas. Eu usava roupas loucas e cabelos grandes”, relembra Thalmon.
Como antigo frequentador da Lama, Thalmon costumava comer empanada com os amigos, no bar do “Argentino”, um bar que tinha cerca de bambu e chão de areia. Ele sente orgulho em fazer parte da história da Rua. “Quando não tenho aonde ir, vou pra Lama. Ela é um ambiente de companheirismo. Tenho a certeza de que vou encontrar amigos e boas idéias”, conta Thalmon. Ele ainda deixa um último recado: “Se você não for à Lama, não se mostrar, você vai passar pela vida em branco”.
A Lama nasceu a partir de um ponto final de ônibus em Jardim da Penha, onde tinha muita lama. Depois disso, bares começaram a ser fundados, atraindo os universitários que estudavam ali perto e começou a partir daí o uso da expressão, “vamos pra Lama”.
Cinema
“Nunca mais vi Érica” teve como um dos cenários a Lama, mostrando a galera que fica sentada no Bar do Cochicho. O filme narra a história de Érica (Andressa Furletti), uma estudante da Ufes que reencontra seu grande amor, Miro (Bento Abreu), na Lama. Seu Geraldo conta que foi montada uma grande estrutura para que acontecesse a gravação, inclusive a rua teve que ser fechada.
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