quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

As drogas no noticiário dos jornais

A análise de 67 matérias dos jornais A Tribuna e A Gazeta, e a análise comparativa entre os dois jornais foram a metodologia usada no trabalho apresentado na Ufes pela jornalista, professora, e ex-aluna da Faesa, Eliana Marcolino, em palestra na Ufes. O trabalho é resultado de uma pesquisa feita de 01 a 31 de julho, e foi realizada por ela junto com um grupo de alunos de pós-graduação em Atenção Primária à Saúde.

O assunto era "Mídia e Saúde: a representação do tema drogas envolvendo crianças e adolescentes" nos jornais capixabas, tema polêmico, urgente e de relevância social. A palestra teve a participação da doutoranda em Comunicação e Saúde e assessora de comunicação do Hospital Santa Rita, Fabiana Franco; e da pedagoga e coordenadora da Casa de Liberdade Assistida Presença e Vida, Maria Aparecida Guimarães.

Foram analisadas 35 matérias de A Gazeta, a maioria pertencente ao gênero jornalístico informativo; 60% vieram em forma de notícia; 51% pertenciam à Editoria de Segurança; 53% foram assinadas por jornalistas; 97% não tinham caráter educativo; em 78% a abordagem do tema foi considerada superficial; 56% dos descritores temáticos eram de denúncia e apreensão; 65% das fontes consultadas eram policiais; e as três principais drogas citadas nas matérias eram, pela ordem, maconha, crack e cocaína.

Em A Tribuna, Eliana analisou que a maioria das matérias tinha caráter informativo: 44% eram reportagens, e destas, quatro eram especiais; 53% estavam na parte de assuntos de polícia; 43% não vinham assinadas, e 37% foram assinadas por jornalistas; 68% tinham ilustrações; 97% não tinham caráter educativo; em 88% a abordagem do tema foi considerada superficial; 47% dos descritores temáticos eram de denúncia e apreensão; 35% das fontes eram policias, e 35% não possuíam fonte; e as principais drogas mencionadas foram a cocaína e o crack.

Comparando os dois jornais num todo, Eliana pôde observar que as fontes das matérias são majoritariamente oficiais; mais matérias versam sobre denúncia e apreensão; e o que falta nas matérias é a resposta para o porquê de os usuários estarem envolvidos com o roubo. “Onde falta cultura, o tráfico se instala”, acrescenta.

Após a apresentação do trabalho, as convidadas Fabiana Franco e Maria Aparecida Guimarães falaram um pouco sobre o trabalho delas em relação ao tema. Para Fabiana, o que mais incomoda é a pouca representatividade das drogas lícitas, e a pouca divulgação dos problemas de saúde pública. Ela defende que deveria haver algo que auxiliasse esses usuários. “Jornalista tem que ser criativo e se criticar, tentar fazer uma forma de comunicação diferente”, diz.

Aparecida apresentou a Casa de Liberdade Assistida Presença e Vida, onde é coordenadora. A Casa, que está localizada em Vila ,recebe adolescentes infratores, e busca desenvolver projetos sociais com eles. “Mexemos com o adolescente, trabalhamos com ele. Não com o ato infracional, e sim com a pessoa”, diz. Por fim, a palestra foi aberta a perguntas.

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