Muitos são os motivos que levam os devotos de Nossa Senhora a fazerem Romarias e a subirem o Convento da padroeira do Estado. No caso da dona de casa Vânia Cristina Barbosa, 48, fé, agradecimento, imenso amor por Maria e a crença de que ela é a intercessora entre os fiéis e Deus são os principais motivos de ela estar participando pela quinta vez da Romaria das Mulheres, que sai do Santuário de Vila Velha e vai até o Parque da Prainha, e de sempre estar subindo o Convento.
Vânia conta que duas situações marcaram a vida de sua família. A primeira foi quando sua filha, que hoje tem 21 anos e na época tinha 17, apresentava feridas pelo corpo que lembravam lepra. Desesperada, ela procurou vários médicos, gastando muito dinheiro com consultas e nenhum deles conseguia identificar o que era. “Até que fiz o pedido para que Nossa Senhora intercedesse. Após dois dias, as feridas começaram a secar”, afirma.
Uma semana depois do pedido, Vânia levou a filha ao médico e foi descoberto que ela estava com psoríase. O médico falou que foi um milagre porque as feridas se curaram muito rápido, mesmo sem o uso de medicamentos. Outro pedido feito por Vânia que surpreendeu os médicos foi quando seu marido estava viajando pelo interior do Estado e teve um problema de pressão gravíssimo.
Segundo a devota, seu marido foi hospitalizado e não sentia as pernas até a altura da cintura. “Achamos que ele ia ficar paralítico”, relata. Depois de sete dias, a família fez uma promessa que no sétimo dia, no dia da primeira eucaristia do filho mais novo, todos iriam à comunidade Mãe Rainha Estrela da Manhã, localizada no Rio de Janeiro, na qual são participantes.
Proximidade com Nossa Senhora
A Romaria das Mulheres existe há 14 anos e segundo a coordenadora do evento Maria José Tabacchi, a ideia veio durante uma preparação da abertura da Campanha da Fraternidade. “Eu e mais algumas mulheres, que queriam ter a própria Romaria, comentamos com o bispo Dom João Aviz a ideia de ter nossa própria manifestação de fé”, comenta. Ela ainda conta que o bispo falou que se elas conseguissem um padre, poderiam fazer. “Sentamos com o Frei Ladi Antoniazzi e ele aceitou o convite”, diz.
A aposentada Rita de Cássia, 57, relata que o marido era devoto e ia à Romaria dos Homens. Ela recorda que ficava encantada com a devoção, mas na época, mulheres não podiam participar da Romaria dos Homens. Então, quando foi criada a Romaria das Mulheres, ela não quis deixar de ir, e há 12 anos convida sua amiga Maria Auxiliadora de Carvalho, 58, que mora em Niterói.
Amigas há 40 anos, as duas acreditam que foi importante a criação desta Romaria devido à proximidade que as mulheres têm com Nossa Senhora da Penha. “São as mulheres que têm filho, então penso que era obrigatório ter uma romaria para elas”, opina Rita.
A Romaria vem crescendo e hoje cerca de 60 mil devotos participam do evento levantando bolas coloridas e rosas. A coordenadora conta que na primeira edição só as comunidades da Serra, Cariacica e Vila Velha participavam. “No começo éramos um público pequeno, mas com o tempo nós fomos conquistando os fiéis”, afirma.
Todas as imagens dessa matéria foram feitas por mim. Quem tiver interesse em ver as fotos que tirei da Festa da Penha, basta entrar no meu FLICKR.

