sexta-feira, 20 de maio de 2011

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Romaria das Mulheres: Multidão se reúne para agradecer

Muitos são os motivos que levam os devotos de Nossa Senhora a fazerem Romarias e a subirem o Convento da padroeira do Estado. No caso da dona de casa Vânia Cristina Barbosa, 48, fé, agradecimento, imenso amor por Maria e a crença de que ela é a intercessora entre os fiéis e Deus são os principais motivos de ela estar participando pela quinta vez da Romaria das Mulheres, que sai do Santuário de Vila Velha e vai até o Parque da Prainha, e de sempre estar subindo o Convento.


Vânia conta que duas situações marcaram a vida de sua família. A primeira foi quando sua filha, que hoje tem 21 anos e na época tinha 17, apresentava feridas pelo corpo que lembravam lepra. Desesperada, ela procurou vários médicos, gastando muito dinheiro com consultas e nenhum deles conseguia identificar o que era. Até que fiz o pedido para que Nossa Senhora intercedesse. Após dois dias, as feridas começaram a secar”, afirma.


Uma semana depois do pedido, Vânia levou a filha ao médico e foi descoberto que ela estava com psoríase. O médico falou que foi um milagre porque as feridas se curaram muito rápido, mesmo sem o uso de medicamentos. Outro pedido feito por Vânia que surpreendeu os médicos foi quando seu marido estava viajando pelo interior do Estado e teve um problema de pressão gravíssimo.


Segundo a devota, seu marido foi hospitalizado e não sentia as pernas até a altura da cintura. “Achamos que ele ia ficar paralítico”, relata. Depois de sete dias, a família fez uma promessa que no sétimo dia, no dia da primeira eucaristia do filho mais novo, todos iriam à comunidade Mãe Rainha Estrela da Manhã, localizada no Rio de Janeiro, na qual são participantes.


Proximidade com Nossa Senhora


A Romaria das Mulheres existe há 14 anos e segundo a coordenadora do evento Maria José Tabacchi, a ideia veio durante uma preparação da abertura da Campanha da Fraternidade. “Eu e mais algumas mulheres, que queriam ter a própria Romaria, comentamos com o bispo Dom João Aviz a ideia de ter nossa própria manifestação de fé”, comenta. Ela ainda conta que o bispo falou que se elas conseguissem um padre, poderiam fazer. “Sentamos com o Frei Ladi Antoniazzi e ele aceitou o convite”, diz.


A aposentada Rita de Cássia, 57, relata que o marido era devoto e ia à Romaria dos Homens. Ela recorda que ficava encantada com a devoção, mas na época, mulhereso podiam participar da Romaria dos Homens. Então, quando foi criada a Romaria das Mulheres, ela não quis deixar de ir, e há 12 anos convida sua amiga Maria Auxiliadora de Carvalho, 58, que mora em Niterói.


Amigas há 40 anos, as duas acreditam que foi importante a criação desta Romaria devido à proximidade que as mulheres têm com Nossa Senhora da Penha. “São as mulheres que têm filho, então penso que era obrigatório ter uma romaria para elas”, opina Rita.


A Romaria vem crescendo e hoje cerca de 60 mil devotos participam do evento levantando bolas coloridas e rosas. A coordenadora conta que na primeira edição só as comunidades da Serra, Cariacica e Vila Velha participavam. “No começo éramos um público pequeno, mas com o tempo nós fomos conquistando os fiéis”, afirma.


Todas as imagens dessa matéria foram feitas por mim. Quem tiver interesse em ver as fotos que tirei da Festa da Penha, basta entrar no meu FLICKR.

Amizade sem fronteiras

Muitas relações virtuais acabam se tornando reais, como é o caso da capixaba Rosekler Pereira, 22, e da paulistana Carolina Almeida, 20, que há dois anos se conheceram em um site de relacionamento chamado dipdive. E agora, no feriado da Semana Santa, elas realizaram o desejo de se encontrar pessoalmente.

Na época em que se conheceram elas eram fãs do grupo americano Pussycat Dolls. Kimberly Wyatt, uma das ex-integrantes, tem um canal nesse site chamado Beautiful Movements, onde pessoas de diversos lugares do mundo podem se conectar através de blogs. Carolina comentou em um dos blogs criados pela capixaba e assim criou-se uma amizade.

Rosekler se formou em Direito e em fevereiro teve a festa de formatura, onde ela fez o primeiro convite a Carolina, que não pôde comparecer. A estudante de administração então r
esolveu conhecer a Ilha no feriado de Páscoa. Os pais dela ficaram receosos no começo, mas acabaram deixando. Antes de viajar, as duas contam que houve uma conversa entre as mães por telefone.

Outras amizades virtuais

O Twitter e Orkut, que são redes sociais mais conhecidas pelos brasileiros, também foram ótimos locais para que elas fizessem outras amizades virtuais e posteriormente firmassem uma amizade real com esses amigos. Rosekler conheceu outros dois amigos capixabas pelo twitter e até hoje eles saem juntos para se divertir.

Já a paulistana, que também é fã do grupo Black Eyed Peas, teve a oportunidade de c
onhecer vários amigos virtuais. “A primeira pessoa da internet que conheci pessoalmente foi uma fã do grupo liderado por will.i.am. Meu pai foi comigo nesse encontro porque achava que poderia ser algum maníaco louco”, relembra. Ela ainda conta que os shows do grupo foram ótimas oportunidades para que conhecesse amigos que antes apenas interagiam com ela através do computador.

As amigas acreditam que a única diferença entre a amizade virtual e real é o fato de não poder tocar na outra pessoa. Rosekler conta que no começo não achava possível estabelecer um relacionamento com uma pessoa que você não pode tocar, por isso ela alerta que todos devem ter cautela ao começar uma amizade deste tipo. Carolina reforça dizendo que se deve estar mais atento ao que a pessoa fala e faz para ver se ela é realmente quem diz ser.

Encantada por Vitória

Não faltaram elogios por parte de Carolina à capital. “Achei Vitória uma delícia. Bem tranquila, bonita e com um clima agradável. Um dos lugares que eu mais gostei foi o píer que tem a imagem de Iemanjá”, conta. Além disso, ela que já gosta de frutos do mar, ficou apaixonada pela moqueca e, é claro, pela torta capixaba, que é feita em grande quantidade nessa época.

A paulistana foi alguns dias à Rua da Lama e conta que os bares são bem parecidos e há uma diversidade de pessoas como nos de São Paulo. “Em Sampa tem
mais variedade de bares e pessoas, mas a essência é a mesma”, afirma.

Porém, nem tudo é igual. Carolina diz que conheceu alguns significados de expressões que a Rosekler explicou, que em São Paulo significam outras coisas. A estudante de administração, que pretende voltar em breve, aponta uma diferença entre as duas cidades: “A Grande São Paulo é muito agitada, sempre estamos na correria. Já Vitória é mais calma”.

A família que samba unida

Tudo começou em 1972, quando Guilherme Monteiro Alves, 64, junto com seu pai Orestes Monteiro Alves e seu primo Adilson Ribeiro da Silva (Mestre Ditão) fundaram o bloco de samba Unidos de Jucutuquara. A partir daí criou-se um vínculo entre a família Monteiro e o carnaval. Uma ligação que permanece até hoje, e se depender dos netos de Guilherme permanecerá por muito tempo. Atualmente ele é presidente do Conselho Deliberativo, que também fundou, e também é o principal Diretor de Harmonia.

Como Diretor de Harmonia, cuida de um grupo de aproximadamente 80 pessoas. São os Diretores de Harmonia que podem ser chamados de colaboradores, chefes de ala. Essas pessoas devem cuidar dos aproximadamente 2.000 foliões, buscando assim ter um bom desfile e conseguir nota 10 em três quesitos: harmonia, evolução e conjunto.


Também conselheiros, Julieta e Genivaldo, irmãos de Guilherme, são respectivamente Diretora Social e Mestre de Bateria. Ela se dedica a receber todas as pessoas, físicas e j
urídicas, com determinada relevância para o meio. Já Genivaldo tem a tarefa de ensaiar, num período médio de seis meses, a bateria que é formada por aproximadamente 180 pessoas, buscando garantir a nota 10 no quesito bateria.

Os gêmeos André e Luiz Guilherme, 35, e a filha Andréa são diretores de harmonia e trabalham os quesitos junto com o pai. Todos os sobrinhos de Guilherme atuam na bateria, no grupo de compositores ou em outro setor da escola. Os netos também não ficam de fora do desfile. Luiza, 12, é passista; Maria Clara, 14, é passista e ritmista; e o neto mais novo, Luiz Gustavo, 5, também é ritmista, porém não pode desfilar por não ter a idade permitida.

São dez quesitos e a família já atuou em todos. Andréa, 32, técnica em metalurgia, conta que a preparação é intensa e eles se dedicam o ano todo. “São 24 horas e 365 dias no ano, tudo é samba”, afirma. Ela, que futuramente pretende ser presidente da Escola, ainda disse que durante o período de ensaio eles se reúnem no Clube Anchietinha, em Jucutuquara, onde a Escola se prepara para a chegada do carnaval de Vitória.

Grupo de samba independente

A família tem o próprio grupo independente de apresentação, o Jucutuquara Samba Show, coordenado por André, e que não possui nenhum vínculo com a Escola Unidos de Jucutuquara. Eles se apresentam em casamentos, formaturas, festas de empresas e aniversários. E podem apresentar tudo aquilo que se quer ver em uma escola de samba: mestre sala e porta bandeira, ritmistas, mestre de bateria, passistas e músicos (cavaco, violão e intérprete), são algumas das atrações.


Luto

A matriarca da família, Maria da Glória Monteiro Alves, conhecida como “Dona Glória”, morreu em dezembro do ano passado. A fundadora, e mãe de Guilherme Monteiro Alves, pertencia ao Conselho da Unidos de Jucutuquara e sentiu-se mal durante um ensaio da Velha Guarda, na quadra da agremiação. Apesar de ter sido medicada, Maria da Glória não resistiu.

Dona Glória, que na época da fatalidade tinha 80 anos, foi essencial para a formação da Unidos de Jucutuquara. A Escola, que no começo era um bloco, foi criada na casa dela, e seu quintal era usado para os ensaios. Nessa época, apenas homens desfilavam e estes se vestiam de mulher. Posteriormente a fantasia oficial passou a ser de pescador e mais tarde as mulheres puderam desfilar.


A partir de 1980 o bloco começou a participar e ganhar concursos promovidos pela Prefeitura de Vitória. Após o bloco ser campeão cinco anos consecutivos, a prefeitura sugeriu a formação da escola de samba. Em 1986 foi criada a Escola de Samba Unidos de Jucutuquara. Em seu primeiro desfile, a Escola foi campeã do 2º grupo, e no ano seguinte, quando foi para o 1º grupo, já conseguiu o vice-campeonato.