quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

0 comentários

O Mercado da arte popular

Cestas, panelas de barro, produtos reciclados, esculturas, quadros e luminárias, tudo isso e muito mais pode ser encontrado no Mercado São Sebastião, em Jucutuquara, patrimônio tombado, que foi reaberto no mês de setembro. O novo ambiente está dividido em 14 boxes e cada é ocupado por um artesão independente ou associados. O objetivo da reabertura do espaço tem a ver com busca de fortalecer o artesanato e a cultura capixabas.

A escolha desses artesões e associações aconteceu através de um concurso onde estes fizeram as inscrições e levaram o material para serem apresentados aos jurados. Após duas semanas, os escolhidos foram chamados para irem à prefeitura assinar os papéis para então receber o box. Um dos critérios de escolha foi a originalidade do artesão.

Os espaços foram preenchidos por sete associações (NAboa, Paneleiras de Goiabeiras, Aproart, CERAMES, Economia Solidária, Capixabisse e Vitória das Artes); cinco artesãos independentes (Maria Nunes, Tulipa Cabral, Maria Gaiba, Giovana Barbosa e José Carlos); e um box reservado para a Prefeitura de Vitória.

Resgatando o uso da fibra da taboa em artesanatos, a Associação dos Artesãos do Núcleo de Artesanato em Taboa produz cestas, tapetes, espelhos, bandejas, castiçais, pufes. Com este trabalho, a associação gera renda para 117 famílias. Enquanto isso, logo ao lado, estão as panelas de barro das paneleiras de Goiabeiras que promovem a tradição de um dos principais símbolos da cultura e da identidade capixaba.

A AproART trabalha com produtos reciclados, entre eles madeira, enfeites, sementes e escamas de peixe. Já a CERAMES (Associação de Ceramistas do Espírito Santo), se destaca por apresentar produtos feitos à base de barro. Ao projeto são associados apenas oito, dos muitos membros da associação, e eles trabalham com o mesmo produto, mas as formas de arte são diversificadas. Os associados produzem de artigos decorativos a esculturas.

Economia Solidária é uma associação do Governo, e foi criada para ajudar aqueles artesãos que não têm condição de montar uma loja própria. Os artesãos associam-se sem custo algum, e quando acontecem eventos como a Feira do Verde, existe um espaço reservado para essa associação. Uma das associadas é a Maria Nunes, que além de estar associada ao Economia Solidária, tem um box próprio (Minas Artesanato) onde expõe o trabalho dela e das irmãs, que veem o artesanato como algo compensador. “Ser artesão é uma profissão viciante”, afirma.

Maria Gaiba, responsável pelo “Arte Gaiba”, e Tulipa Cabral, também responsável por um box, convivem lado a lado no Mercado. Enquanto Maria iniciou-se no mundo artístico simplesmente pelo amor à arte, Tulipa começou por não ter dinheiro para comprar uma calcinha de couro, e quando uma amiga ganhou uma, pediu emprestado, fez o molde e costurou sua própria calcinha. A costura foi um sucesso e ela começou a vender para outras pessoas.

Vinda de Vila Velha, a Capixabisse é uma associação que reúne quinze pessoas que trabalham com todos os tipos de materiais, tecidos, acessórios, um pouco de reciclagem e resíduo de couro. Outra associação presente no Mercado é a Vitória das Artes onde só mulheres são associadas. Elas fabricam o artesanato e a associação vende. O trabalho acontece com a ajuda da prefeitura e com a presença de uma assistente social que acompanha essas mulheres.


Giovana Barbosa e José Carlos também ocupam dois boxes. Mas Giovana tem também um ateliê em Vila Velha e trabalha com concha e escamas. Já José Carlos é deficiente físico e ocupa o único box reservado para esse grupo. Ele trabalha na produção de mandalas, bandejas, luminárias, quadros, a partir de material reciclável. Apesar da pouca movimentação devido ao difícil acesso ao estabelecimento, os artesãos dizem que sempre aparecem pessoas interessadas nos artesanatos.

O Mercado, que fica na Avenida Paulino Muller, foi criado em 1939 e funcionava como ponto de encontro de moradores do bairro. A construção neocolonial destacou-se por ser o primeiro mercado construído fora do centro da cidade e parou suas atividades na década de 80. Depois de fechado, o espaço foi tombado como patrimônio histórico pela Prefeitura Municipal de Vitória. Funciona de terça a sexta-feira, das 14 às 20 horas, e todas as sexta-feiras na rua ao lado acontece uma feira livre.

O recanto de todas as ideologias

Até hoje frequentada por jornalistas, universitários e intelectuais, a Lama é ainda o local onde se reúne a maior diversidade de estilos. Lá todos os públicos são aceitos, de homossexuais à fãs do cinema mais cultural, esses geralmente rejeitados pelo resto dos lugares badalados de Vitória. Filme, música e política são os assuntos mais discutidos. Ela, a Lama, também foi palco para muitos artistas conhecidos e já foi cenário de um filme intitulado “Nunca Mais Vi Érica”, do diretor Lizandro Nunes.

O Cochicho, aberto em 1983, por Manolo, foi o primeiro bar. Mais tarde, em 1985, o boteco passou para o seu irmão, atualmente com 66 anos e conhecido pelo público como Seu Geraldo. Além de ser o primeiro bar, o Cochicho é o único que permanece. Bares antigos como Mudando de Conversa e Socó fecharam suas portas. Mesmo com os bares mais modernos se instalando em volta, ele tem a preferência da clientela variada que curte sua característica de boteco.

Além do Cochicho, outros bares antigos e que ainda permanecem são o Buana e Abertura. Ocorre atualmente a entrada de novos bares que não são muito a “cara” da Lama, Esfiheria e Belisco são exemplos disto, trazem uma nova face à rua. Esses novos bares são mais voltados para uma classe alta, sem grandes papos, grupo bem diferente do que é esperado na Rua.

A Lama também se caracteriza pela qualidade musical. No Cochicho, as pessoas têm a oportunidade de ouvir músicas escolhidas pelo dono, do jazz ao samba. Antigamente o bar proporcionava shows ao vivo, e já teve a oportunidade de receber Sérgio Sampaio, cantor de MPB. “Todos os dias o Cochicho tinha música ao vivo, menos na sexta. Em um certo horário da noite, os outros bares fechavam e todos iam para o Cochicho, por causa da música”, diz Seu Geraldo. Outros artistas que também tiveram uma história na Lama são Marcela Lobo, Salsa e José Antônio.


Logo no começo, era comum o uso de drogas no local com a finalidade de mostrar a rebeldia dos jovens contra uma sociedade careta. Não existia um comércio que só ficava em busca do lucro, como se vê hoje. O ex-frequentador do cineclube da Ufes, Thalmon Júnior, 48, diz que esse tipo de ato não era problema, pois, na Lama podia-se tudo, ela era a referência de diversidade de opiniões. “Podia fumar maconha, podia namorar, nos falávamos beijando na boca, era um cumprimento normal entre as pessoas. Eu usava roupas loucas e cabelos grandes”, relembra Thalmon.

Como antigo frequentador da Lama, Thalmon costumava comer empanada com os amigos, no bar do “Argentino”, um bar que tinha cerca de bambu e chão de areia. Ele sente orgulho em fazer parte da história da Rua. “Quando não tenho aonde ir, vou pra Lama. Ela é um ambiente de companheirismo. Tenho a certeza de que vou encontrar amigos e boas idéias”, conta Thalmon. Ele ainda deixa um último recado: “Se você não for à Lama, não se mostrar, você vai passar pela vida em branco”.

A Lama nasceu a partir de um ponto final de ônibus em Jardim da Penha, onde tinha muita lama. Depois disso, bares começaram a ser fundados, atraindo os universitários que estudavam ali perto e começou a partir daí o uso da expressão, “vamos pra Lama”.

Cinema

“Nunca mais vi Érica” teve como um dos cenários a Lama, mostrando a galera que fica sentada no Bar do Cochicho. O filme narra a história de Érica (Andressa Furletti), uma estudante da Ufes que reencontra seu grande amor, Miro (Bento Abreu), na Lama. Seu Geraldo conta que foi montada uma grande estrutura para que acontecesse a gravação, inclusive a rua teve que ser fechada.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

0 comentários

As drogas no noticiário dos jornais

A análise de 67 matérias dos jornais A Tribuna e A Gazeta, e a análise comparativa entre os dois jornais foram a metodologia usada no trabalho apresentado na Ufes pela jornalista, professora, e ex-aluna da Faesa, Eliana Marcolino, em palestra na Ufes. O trabalho é resultado de uma pesquisa feita de 01 a 31 de julho, e foi realizada por ela junto com um grupo de alunos de pós-graduação em Atenção Primária à Saúde.

O assunto era "Mídia e Saúde: a representação do tema drogas envolvendo crianças e adolescentes" nos jornais capixabas, tema polêmico, urgente e de relevância social. A palestra teve a participação da doutoranda em Comunicação e Saúde e assessora de comunicação do Hospital Santa Rita, Fabiana Franco; e da pedagoga e coordenadora da Casa de Liberdade Assistida Presença e Vida, Maria Aparecida Guimarães.

Foram analisadas 35 matérias de A Gazeta, a maioria pertencente ao gênero jornalístico informativo; 60% vieram em forma de notícia; 51% pertenciam à Editoria de Segurança; 53% foram assinadas por jornalistas; 97% não tinham caráter educativo; em 78% a abordagem do tema foi considerada superficial; 56% dos descritores temáticos eram de denúncia e apreensão; 65% das fontes consultadas eram policiais; e as três principais drogas citadas nas matérias eram, pela ordem, maconha, crack e cocaína.

Em A Tribuna, Eliana analisou que a maioria das matérias tinha caráter informativo: 44% eram reportagens, e destas, quatro eram especiais; 53% estavam na parte de assuntos de polícia; 43% não vinham assinadas, e 37% foram assinadas por jornalistas; 68% tinham ilustrações; 97% não tinham caráter educativo; em 88% a abordagem do tema foi considerada superficial; 47% dos descritores temáticos eram de denúncia e apreensão; 35% das fontes eram policias, e 35% não possuíam fonte; e as principais drogas mencionadas foram a cocaína e o crack.

Comparando os dois jornais num todo, Eliana pôde observar que as fontes das matérias são majoritariamente oficiais; mais matérias versam sobre denúncia e apreensão; e o que falta nas matérias é a resposta para o porquê de os usuários estarem envolvidos com o roubo. “Onde falta cultura, o tráfico se instala”, acrescenta.

Após a apresentação do trabalho, as convidadas Fabiana Franco e Maria Aparecida Guimarães falaram um pouco sobre o trabalho delas em relação ao tema. Para Fabiana, o que mais incomoda é a pouca representatividade das drogas lícitas, e a pouca divulgação dos problemas de saúde pública. Ela defende que deveria haver algo que auxiliasse esses usuários. “Jornalista tem que ser criativo e se criticar, tentar fazer uma forma de comunicação diferente”, diz.

Aparecida apresentou a Casa de Liberdade Assistida Presença e Vida, onde é coordenadora. A Casa, que está localizada em Vila ,recebe adolescentes infratores, e busca desenvolver projetos sociais com eles. “Mexemos com o adolescente, trabalhamos com ele. Não com o ato infracional, e sim com a pessoa”, diz. Por fim, a palestra foi aberta a perguntas.