sexta-feira, 20 de maio de 2011

A família que samba unida

Tudo começou em 1972, quando Guilherme Monteiro Alves, 64, junto com seu pai Orestes Monteiro Alves e seu primo Adilson Ribeiro da Silva (Mestre Ditão) fundaram o bloco de samba Unidos de Jucutuquara. A partir daí criou-se um vínculo entre a família Monteiro e o carnaval. Uma ligação que permanece até hoje, e se depender dos netos de Guilherme permanecerá por muito tempo. Atualmente ele é presidente do Conselho Deliberativo, que também fundou, e também é o principal Diretor de Harmonia.

Como Diretor de Harmonia, cuida de um grupo de aproximadamente 80 pessoas. São os Diretores de Harmonia que podem ser chamados de colaboradores, chefes de ala. Essas pessoas devem cuidar dos aproximadamente 2.000 foliões, buscando assim ter um bom desfile e conseguir nota 10 em três quesitos: harmonia, evolução e conjunto.


Também conselheiros, Julieta e Genivaldo, irmãos de Guilherme, são respectivamente Diretora Social e Mestre de Bateria. Ela se dedica a receber todas as pessoas, físicas e j
urídicas, com determinada relevância para o meio. Já Genivaldo tem a tarefa de ensaiar, num período médio de seis meses, a bateria que é formada por aproximadamente 180 pessoas, buscando garantir a nota 10 no quesito bateria.

Os gêmeos André e Luiz Guilherme, 35, e a filha Andréa são diretores de harmonia e trabalham os quesitos junto com o pai. Todos os sobrinhos de Guilherme atuam na bateria, no grupo de compositores ou em outro setor da escola. Os netos também não ficam de fora do desfile. Luiza, 12, é passista; Maria Clara, 14, é passista e ritmista; e o neto mais novo, Luiz Gustavo, 5, também é ritmista, porém não pode desfilar por não ter a idade permitida.

São dez quesitos e a família já atuou em todos. Andréa, 32, técnica em metalurgia, conta que a preparação é intensa e eles se dedicam o ano todo. “São 24 horas e 365 dias no ano, tudo é samba”, afirma. Ela, que futuramente pretende ser presidente da Escola, ainda disse que durante o período de ensaio eles se reúnem no Clube Anchietinha, em Jucutuquara, onde a Escola se prepara para a chegada do carnaval de Vitória.

Grupo de samba independente

A família tem o próprio grupo independente de apresentação, o Jucutuquara Samba Show, coordenado por André, e que não possui nenhum vínculo com a Escola Unidos de Jucutuquara. Eles se apresentam em casamentos, formaturas, festas de empresas e aniversários. E podem apresentar tudo aquilo que se quer ver em uma escola de samba: mestre sala e porta bandeira, ritmistas, mestre de bateria, passistas e músicos (cavaco, violão e intérprete), são algumas das atrações.


Luto

A matriarca da família, Maria da Glória Monteiro Alves, conhecida como “Dona Glória”, morreu em dezembro do ano passado. A fundadora, e mãe de Guilherme Monteiro Alves, pertencia ao Conselho da Unidos de Jucutuquara e sentiu-se mal durante um ensaio da Velha Guarda, na quadra da agremiação. Apesar de ter sido medicada, Maria da Glória não resistiu.

Dona Glória, que na época da fatalidade tinha 80 anos, foi essencial para a formação da Unidos de Jucutuquara. A Escola, que no começo era um bloco, foi criada na casa dela, e seu quintal era usado para os ensaios. Nessa época, apenas homens desfilavam e estes se vestiam de mulher. Posteriormente a fantasia oficial passou a ser de pescador e mais tarde as mulheres puderam desfilar.


A partir de 1980 o bloco começou a participar e ganhar concursos promovidos pela Prefeitura de Vitória. Após o bloco ser campeão cinco anos consecutivos, a prefeitura sugeriu a formação da escola de samba. Em 1986 foi criada a Escola de Samba Unidos de Jucutuquara. Em seu primeiro desfile, a Escola foi campeã do 2º grupo, e no ano seguinte, quando foi para o 1º grupo, já conseguiu o vice-campeonato.

0 comentários:

Postar um comentário