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| Giu Dias fazendo a sua arte de rua. Foto: Flávio Carvalho |
Uma manifestação artística tem colorido muros, escadarias, madeirites de obras, pracinhas e parques da cidade. São pessoas que buscam manifestar ideias através de bonecos, frases e traços coloridos. É a arte do graffiti, considerada uma das formas artísticas mais expressivas da arte pós-moderna.
Apesar do preconceito com a arte de rua, os grafiteiros tentam conquistar a sociedade e mostrar que essa arte é saudável e não faz apologia negativa. Eles estão preocupados em fazer um trabalho que não seja mal visto pelo resto da população e sempre buscam o respeito, evitando fazer a arte em locais privados e que possam causar problemas.
Giu Dias é professor de graffiti no Centro de Referência da Juventude, na Ilha de Santa Maria em Vitória, e durante as aulas tenta passar para os alunos como ele conseguiu trabalhos e reconhecimento através da arte de rua. “Mostro para eles esse novo horizonte. Com o graffiti você pode trabalhar, conquistar e ser alguém na vida”.
Guilherme de Oliveira, 16, é um dos alunos de Dias e tem muitas expectativas para quando terminar o curso. O jovem pretende arranjar trabalhos e mostrar para a sociedade que ele não está ali para sujar a cidade. Oliveira quer que as pessoas vejam os desenhos que ele fizer como uma arte e quer que seu graffiti mude a vida de quem ver.
Para o psicólogo Ronaldo Marangoni, essa reação não acontece de forma simples. “Não é simplesmente olhar e se alterar. Mas, ao mesmo tempo, a arte pode fazer com que as pessoas alarguem seus processos de perspectiva de vida. E, de certa forma, amplie a visão que o indivíduo tem do mundo e altere essa visão. Isto pode de certa forma ajudá-lo a lidar com seus problemas do cotidiano”, completa.
Graffiti x pichação
Apesar de estarem interligados, já que o graffiti nasceu a partir da pichação, grafiteiros e pichadores, na maioria das vezes, têm objetivos diferentes. O pichador não se importa se a sociedade vai gostar do trabalho que ele fez. Geralmente a pichação é formada por letras de forma simples, que possuem só um traço, sem cor e com algumas modificações.
Já o grafiteiro quer que o graffiti seja apreciado pela sociedade. Para isso, ele faz uma arte colorida, trabalhada e que leve uma mensagem. “O graffiti é um lance mais artístico e já se adaptou ao desenho. Você já vê realismo, referência de ilustração e cartoon”, contou Giu. Ele ainda lembrou que o Brasil é o único lugar do mundo onde existe essa separação.
O professor de graffiti considerou que existem letras da pichação que são muito trabalhadas e que para ele podem ser consideradas arte. Por isso, ele disse que cabe à sociedade, já que é ela quem vê a manifestação no seu cotidiano, decidir se aquele trabalho é arte ou não.
História
O graffiti surgiu na década de 60 em Nova Iorque, Estados Unidos. A arte nasceu da escrita ou “tag” (assinatura) do artista, nas estações de metrô. A princípio era feita com marcadores e, posteriormente, houve o advento dos sprays. Com o tempo, o graffiti conquistou a indústria, que passou a produzir bicos de spray adaptados para esse público. Durante esse período, os filmes passaram a divulgar o graffiti nas filmagens.
A arte de rua chegou no Espírito Santo nos anos 80 e só ganhou força a partir dos anos 90. Na época, grande parte das pinturas era feita com rolo e látex. O primeiro grupo surgiu nesse período e se chamava União dos Grafiteiros Independentes (UGI). Os materiais utilizados, atualmente, são os spraiers e os caps, bicos introduzidos às latas, para aplicação do spray.
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