sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

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Circo para todos!

Raul Gregório Nogueira. Fotos: Flávio Carvalho
São quase seis anos de estrada, mas parece que foi ontem que Raul Gregório Nogueira estava em Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul, para montar pela primeira vez a tenda do próprio circo. Depois de se separar do pai para trabalhar em grandes companhias, que possibilitaram viagens para quase todos os cantos do mundo, o ex-artista circense aproveitou um prêmio dado pela Fundação Nacional das Artes (Funarte) para criar o Circo Popular. 

A relação que a família de Gregório tem com o picadeiro foi fundamental para que ele levasse o prêmio da Funarte. O dono do Circo Popular faz parte da quarta geração de palhaços da família. A fundação percebeu que alguém que fazia parte desse mundo de magia estava fora do país por falta de apoio e deram a oportunidade que ele precisava para fazer os brasileiros rirem. O objetivo do prêmio dado ao dono do Circo Popular é levar para todo o país um espetáculo bom e barato. Uma forma de fazer com que todos os brasileiros tenham acesso à diversão. 

Formado por chilenos e brasileiros, o circo já passou por diversos estados e possui 20 artistas que vivem em constante adrenalina. Já que por se tratarem de uma companhia pequena, os integrantes têm que fazer de tudo um pouco. “Todo mundo aqui monta e desmonta o circo. O mesmo que está lá trabalhando como palhaço, está vendendo pipoca. E nossa vida é assim constantemente”, afirmou. 

O Circo Popular tem atrações próprias e algumas fazem parte da tradição da família, como o palhaço e o globo da morte. Mas para ficar cada vez melhor, Gregório afirmou ver novas atrações do Circo de Soleil e, posteriormente, adaptá-las para o circo que ele administra. 

Um marco na história de alguns dos integrantes do Circo Popular foi quando participaram do desfile da Mocidade Independente de São Miguel, em 2002. “A gente atravessou o sambódromo rodando com cinco motos no globo da morte”, lembrou. Ouça o samba-enredo “O Grande Circo Místico”.


Para firmar o sucesso do circo, Gregório revelou que seus artistas primeiro sentem o público para depois definir como será a atuação. Essa receita deu certo em Jacaraípe. O sucesso foi tanto que, em vez de ficarem duas semanas com a tenda montada, eles se apresentaram por um mês no bairro.




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

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A cruel indústria que forma famosos


O estrelato é acompanhado de muita ilusão e mentiras. Todo mundo acha que ser famoso é estar acima dos outros mortais. Reality shows que procuram o novo popstar mostram isso. Milhares de pessoas se inscrevem nesse tipo de programa com somente um intuito: terem total reconhecimento por aquilo que sonham em fazer pelo resto da vida. Porém, elas esquecem que apesar de muitos chegarem ao topo, poucos conseguem permanecer e suportar a pressão.

Polêmica é o sobrenome de participantes do BBB e A Fazenda. O desespero por mais 15 minutos de estrelato é tanto que eles pautam sites de fofoca como Ego e O Fuxico com matérias que beiram o ridículo. A população está cansada de ler que aquela subcelebridade almoçou ali e tomou sol acolá, mas todo mundo lê. Além disso, esses sites adoram um artista com pouca roupa ou que vive saindo de festas completamente bêbado.



Apesar de muitos buscarem clínicas de reabilitação, psicólogos e psiquiatras, por não aguentarem essa pressão da indústria, poucos acabam encontrando a cura, assim como qualquer outra pessoa. Alguns nem quiseram se tratar. Assim foi com a cantora britânica Amy Winehouse que disse “não” para reabilitação na letra do sucesso “Rehab”. Mesmo não precisando criar polêmicas para ser famosa, o fim chegou cedo para ela devido ao uso intenso de drogas. Com apenas 27 anos, Amy deixou família, amigos e fãs.



A série 90210 da CW tentou mostrar algumas das dificuldades Lowndes, era uma garota comum até ser descoberta como uma promissora atriz. A pressão imposta pela mãe e por toda essa indústria fez com que a “promissora atriz” ficasse obcecada

pelos trabalhos oferecidos. A personagem chegou a sofrer de bulimia e a usar drogas. Depois de um longo tratamento, foi considerada curada. de um artista jovem. A personagem Adrianna, da atriz Jessica

Episódios se passaram e Adrianna passou a ser a nova popstar da América. Gravou músicas, foi capa de revistas, virou de novo uma estrela. Problemas pessoais a deixavam vulneráveis e a indústria fonográfica não facilitou. Com novos artistas aparecendo na mídia, a “promissora cantora” foi deixada de lado. Ela não suportou. Quem suportaria tamanha rejeição? Novamente se envolveu com drogas e foi capaz de roubar letras de músicas de um cantor, com quem tinha tido uma relação amorosa, logo após ele ter sofrido um trágico acidente.

Adrianna voltou ao sucesso, mas a farsa não durou muito. Perdeu tudo que tinha, inclusive amigos, e foi literalmente chutada de vez pela mídia. Rejeitada, não demorou muito para que cometesse outras crueldades, além de pensar em cometer suicídio, o que acabou não ocorrendo.

Ainda em Los Angeles, só que agora falando da vida real, vivem as popstars Demi Lovato e Lindsay Lohan. Artistas talentosas que sofreram e, ainda sofrem, de problemas psicológicos decorrentes do sucesso. Cabem aos parentes, amigos e fãs ajudarem elas a superar os problemas. Britney Spears é um bom exemplo. Depois de cometer várias loucuras, hoje é uma ótima mãe.


A verdade é que não é preciso estar muito longe do nosso tempo, de Los Angeles e muito menos da ficção para que fatos como esse ocorram. Prova disso é o ex-cantor Rafael Ilha, que começou a carreira muito jovem, aos nove anos, fazendo pequenas participações em comerciais de TV. Sua vocação para o estrelato era tanta que aos 12 anos entrou para o Grupo Polegar. O grupo, fenômeno musical dos anos 80, explodiu em vendas. Foram mais de um milhão de cópias vendidas, em apenas três álbuns. Porém, Rafael não suportou tamanho sucesso.

Em entrevista dada ao jornal “O Dia”, em fevereiro deste ano, Rafael deu um conselho aos novos jovens do meio artístico. “Saber que é um mundo de ilusão: do mesmo jeito que você está em cima agora, depois pode estar embaixo. É um mundo muito frágil, sólido para poucos artistas”. De acordo com o jornal, Ilha usou drogas desde a idade em que ingressou no grupo. De início, começou cheirando cola e benzina, depois veio o mais temido dos entorpecentes, a cocaína.

Em três anos, Rafael Ilha já havia sido internado e sua presença no Polegar não durou muito. Aos 17, foi afastado do grupo e viu o namoro com a atriz Cristiana Oliveira acabar. Tudo por culpa do vício. Já adulto, foi preso ao assaltar uma mulher para comprar drogas. Nesse período, o cantor que estava nos palcos e vivia uma vida glamurosa, era um viciado em crack e havia “se mudado” para debaixo de um viaduto em São Paulo.

A vida de Rafael Ilha foi marcada por altos e baixos. Da mesma forma que o sucesso veio e lhe deu a oportunidade de viver coisas que pessoas, ditas normais, não poderiam. Esse mesmo sucesso foi responsável por dar uma rasteira, que poderia ser fatal. Em 2009, Ilha tentou cometer suicídio, usando um pedaço de vidro, dentro de um elevador, no condomínio onde morava a avó dele. Ainda em entrevista ao jornal, ele afirmou não usar drogas desde 2000.

Os famosos são como qualquer outra pessoa. Eles também sofrem com problemas psicológicos e com a pressão do dia a dia. Por isso, os artistas novos devem manter o pé no chão. Quanto a nós, “população normal” devemos vê-los com outros olhos. Julgá-los por estarem procurando as drogas para obter aquele apoio que não é dado a eles pela família ou pelos empresários que os formam, não é o caminho certo. Pobres coitados, demoraram a perceber que são apenas mais um produto da cruel indústria fonográfica. Eles devem buscar a conformidade. Afinal, tudo na vida é passageiro.